O Estado de Israel e a Restauração do Reino de Israel de Deus

 


Não é de hoje a crescente admiração dos povos cristãos pelo Estado de Israel, fundado em 1948, e uma forte conexão entre esse país com o Israel de Deus, aquele que é exposto na Bíblia e na Torá. E há alguns motivos para essa conexão. Mas será que os dois são a mesma coisa?




Para responder esta pergunta, é extremamente necessário conhecer a história do Estado de Israel.

Muitos levam em consideração APENAS as questões religiosas: O povo de Israel é o povo escolhido por Deus, e a terra de Israel é a Terra Prometida por Deus a Moisés na saída do Egito. Mas a questão é mais complexa do que isso, e envolve conflitos políticos, étnicos, imigração, disputas territoriais, traumas do Holocausto, imperialismo britânico e, por fim, o movimento chamado Sionismo. Não é possível resumir tudo isso em um único post, por isso, vou colocar aqui apenas o básico, e deixar ao a cargo de cada um que quiser se aprofundar, pesquisar sobre o assunto. Todas as informações postadas foram verificadas. As fontes estão no final do post.

1. O início

Tudo começa antes da Segunda Guerra Mundial - na verdade, até mesmo antes da Primeira Guerra - com o Movimento Sionista, iniciado no final do Século XIX por Theodor Herzl. O movimento visava a criação de um lar nacional judaico na Palestina, que até então era parte do Império Otomano, como resposta ao antissemitismo europeu. Havia uma grande onda de xenofobia e racismo contra judeus pela Europa, e sabemos que, por conta da primeira diáspora, a etnia se espalhou pelos países do Oeste do continente. Esse início gerou uma onda migratória crescente no século XX.


2. Declaração de Balfour

Em 1917, o Reino Unido, após assumir o mandato da Palestina logo depois da Primeira Guerra Mundial, comprometeu-se a apoiar a criação de um "lar nacional" para o povo judeu, gerando promessas conflitantes entre judeus e a população árabe local.


3. Habitantes Palestinos

É importante destacar que, ao contrário do que é ensinado nas escolas judaicas hoje sobre a história da criação do Estado de Israel, a localidade não era um deserto desabitado ou um monte de terras sem ninguém. A região palestina era intensamente povoada. Havia diversos povos que viviam ali da agricultura, e que teriam que ser expulsos de suas casas e de suas terras para a criação do novo país, se o Reino Unido cumprisse sua promessa. E isso gerou diversos conflitos.


4. Povos Semitas

Antes de continuar, é preciso entender o termo "semita". Sempre que se fala em "antissemitismo", se coloca como uma xenofobia ou racismo contra judeus, como seu povo judeu fosse o único povo semita. Mas todos os povos que vivem na região da Palestina são semitas. A origem do nome é religiosa, e vem de "Filhos de Sem", ou seja, filhos do filho de Noé. E, de acordo com a Bíblia, sabemos que existem dois povos que são descendentes de Sem, que são os filhos de Israel - Jacó, filho de Isaque, filho de Abraão - e os filhos de Ismael - também filho de Abraão. Palestinos também são semitas.


Moça palestina


5. Impacto do Holocausto

O assassinato de seis milhões de judeus na Segunda Guerra Mundial foi um trauma gigantesco, não somente para o povo judeu e os seus descendentes, que até hoje existem e se lembram, como também aumentou a pressão internacional para a criação de um Estado judeu seguro, intensificado a imigração e as tensões na região.


6. Partilha da ONU

A Organização das Nações Unidas aprovou a resolução 181, que dividia o território, como já visto antes HABITADO, em dois estados: um judeu e um árabe. O plano conferia cerca de 55% a 66% da terra à população judaica, que era EM MENOR NÚMERO, e foi REJEITADO pelos líderes árabes e países árabes vizinhos.


Partilha da ONU em 1947



7. Guerra de 1948 e Nakba

Imediatamente após a declaração de independência por David Ben-Gurion, a guerra árabe-israelense eclodiu. O conflito resultou na vitória de Israel e na expulsão de aproximadamente 700 mil palestinos, que perderam suas casas, suas terras e se tornaram refugiados. Entre eles mulheres, crianças e idosos.


8. Limpeza Étnica

A criação do Estado de Israel, após a guerra em 1948, não foi apenas uma guerra de independência. Foi uma limpeza de povos palestinos da região. Mais de 200 mil palestinos foram mortos nessa guerra. Não foi uma guerra justa, pois Israel teve apoio militar e de recursos dos Estados Unidos e de alguns países europeus, como a França, e foram destruídas 500 mil vilas palestinas.


Migração forçada após a guerra de 1948


9. Sionismo e religião

No início, o movimento Sionista pregava apenas a criação do Estado de Israel, sem conotação religiosa. Era um movimento laico. Mas, com os países europeus após a Segunda Guerra apoiando essa fundação, e usando os fundamentos e doutrinas cristãs como justificativa, principalmente do conceito de Terra Prometida, o movimento ganhou características religiosas, e passou a se utilizar desse conceito como principal marca. Diferente da narrativa nacionalista, o sionismo se tornou um movimento COLONIAL de assentamento, que precisava SUBSTITUIR a população nativa (Palestina) por imigrantes judeus. Exatamente como aconteceu em qualquer colônia de assentamento do mundo. Por isso, Israel acabou se tornando um Estado Imperialista.


10. Continuidade

A guerra não começou em outubro de 2023. São mais de 70 anos de guerra entre Israel e Palestina. A política de expansão e assentamento na Cisjordânia, a ocupação de terras e o bloqueio da faixa de Gaza são CONTINUAÇÃO de algo que começou em 1948. Atos de genocídio contra povos palestinos, especialmente ao norte, com destruição de infraestrutura habitacional e expulsão em massa, além de situações atuais em Gaza que vemos nos jornais são provas de um padrão de violência, visando a REMOÇÃO da população nativa, o que se caracteriza como limpeza étnica.


Área residencial em Gaza antes e depois dos bombardeios de Israel


11. Direito de Defesa Israelense

Israel rejeita as acusações, caracterizando suas operações como medidas de segurança contra grupos, como o Hamas. Afirma que a evacuação é temporária e realizada por necessidade operacional para a proteção de civis, alegando cumprir o direito internacional. Argumenta que está em batalha contra o terrorismo e que as ações não visam a população civil, mas a eliminação de ameaças. Mas esses argumentos têm fortes contradições:

a) Altíssima taxa de mortes de civis e crianças: uma proporção esmagadora de mortos em Gaza não era de combatentes. Mais de 80% de palestinos mortos eram civis, um dos maiores índices em guerras modernas. A destruição sistemática de áreas residenciais sugere ações que não distinguem adequadamente alvos militares e civis.


Escola, transformada em abrigo para refugiados, é atacada em Gaza por Israel


b) Ataques a infraestrutura civil e humanitária: As forças israelenses bombardearam repetidamente hospitais, escolas da ONU, campos de refugiados e centros de distribuição de alimentos. A destruição de casas e infraestrutura básica em Gaza é descrita pela ONU como deslocamento FORÇADO e PERMANENTE.

c) Fome e bloqueio de ajuda humanitária: Relatórios da ONU indicam que a fome em Gaza é um resultado direto das restrições de Israel à entrada de alimentos e ajuda humanitária, o que é visto como o "uso da fome como arma de guerra".

d) Uso de IA para Kills Lists: Relatos apontam para o uso de sistemas de Inteligência Artificial que geram listas automáticas de alvos, muitas vezes resultando em bombardeios de casas familiares com baixa supervisão humana, o que aumentaria as baixas civis.

e) Acusações de Genocídio e Crimes de Guerra: Relatórios da ONU e comissões independentes CONCLUÍRAM que há evidências de crimes contra a humanidade, incluindo extermínio, cerco e deslocamento forçado. Em 2025, a UN Human Rights informou que as ações de Israel constituem genocídio.

f) O princípio de autodefesa NÃO PERMITE bombardeio indiscriminado de populações civis ou punição coletiva.


Universidade em Gaza após o bombardeio de Israel


12. Situação atual (março de 2026)

A guerra, inciada após os ataques de outubro de 2023, resultou em dezenas de milhares de mortes, com o número de civis palestinos (incluindo milhares de mulheres e crianças) ultrapassando significativamente o número de combatentes inimigos. Com isso, conclui-se que não é de interesse do Estado de Israel destruir o terrorismo, e sim, destruir a população Palestina, ou seja, limpeza étnica e genocídio.


AFINAL, O ESTADO DE ISRAEL É O MESMO ISRAEL DE DEUS?

A resposta é: NÃO.

Enquanto o Israel da Bíblia refere-se ao povo baseado na aliança com Deus, o Estado de Israel, fundado em 1948, é um Estado-nação moderno e secular na mesma região geográfica.

O Israel bíblico representa o poder de Deus. O Estado de Israel é uma construção geopolítica moderna, que através do sionismo atual, se utiliza das guerras de Moisés contra os amalequitas como uma justificativa para "reconquistar", na base da guerra e do genocídio, a "terra prometida", cometendo crimes de guerra e crimes contra dos direitos humanos.

Embora o povo judeu descenda do antigo povo hebreu, o Estado atual NÃO É uma continuação direta do reino teocrático bíblico.


Mas, a PRINCIPAL QUESTÃO:

O Estado de Israel NÃO CUMPRE as profecias bíblicas de restauração teocrática.

- O que diz a profecia?

Nas Escrituras, a restauração de Israel está ligada a um tempo de paz mundial, justiça divina, arrependimento espiritual, reconstrução do templo e a governança direta de Deus, associada à vinda do Messias. 

Críticos teológicos de judeus ortodoxos e antissionistas afirmam que APENAS o Messias pode restaurar o Reino de Israel (este, sim, o Israel de Deus), tornando a criação política do estado um ATO APRESSADO e CONTRÁRIO à vontade divina. Eles apontam que o Estado usa narrativas bíblicas, como a guerra contra os amalequitas (e a ordem para matar idosos, mulheres e crianças de peito) para justificar ações políticas e militares de ocupação da Palestina, transformando a "Terra Prometida" em um conceito geográfico e de controle.

Confundir o Estado de Israel moderno com a restauração do Reino de Israel da Bíblia é um ERRO DE INTERPRETAÇÃO PROFÉTICA E HISTÓRICA. A restauração bíblica envolve a unificação de todos em Cristo, não por violência militar como no Velho Testamento.

As profecias bíblicas, como as encontradas em Ezequiel 36 e 37, descrevem uma restauração que envolve não apenas o retorno físico à terra, mas também UMA PROFUNDA RENOVAÇÃO ESPIRITUAL, o que não aconteceu.

A terra, na Bíblia, está ligada à obediência à aliança com Deus. Muitos argumentam que a promessa de restauração está atrelada a uma nação que busca a Deus, o que difere da realidade de um Estado moderno secular.

Associar diretamente o Estado de Israel atual com o cumprimento profético bíblico pode levar à justificações de ações militares, geopolíticas e políticas de genocídio, ocupação forçada, limpeza étnica sob um manto divino.

O verdadeiro cristão está atento a estes sinais, à verdadeira profecia, e apoiam a paz e a justiça para TODOS OS POVOS da região (judeus e palestinos), sem confundir um Estado secular com o Reino de Deus, e SEM LEGITIMAR OU APOIAR VIOLÊNCIAS.

A distinção é importante para evitar IDOLATRIA DE UMA NAÇÃO POLÍTICA", e evitar ser enganado. A Bíblia diz que no fim dos tempos até os escolhidos seriam enganados, e que deveríamos ter cuidado com falsos profetas, com o lobo na pele de cordeiro, e com o falso líder.

AFINAL, DE QUE LADO VOCÊ ESTÁ?


Fontes cristãs:

1. Cristo nos Escombros: Fé, Bíblia e o Genocídio em Gaza (Rev. Dr. Munther Isaac)

2. O Outro lado do Muro: Uma narrativa cristã palestina de Lamento e Esperança (Rev. Dr. Munther Isaac)

3. Descolonizando a Palestina: A Terra, O Povo, A Bíblia (Pastor Mitri Raheb)

4. Fé em Face ao Império: A Bíblia através dos Olhos Palestinos (Pastor Mitri Raheb)

5. Christian Zionism: Road Map to Armageddon? (Stephen Sizer)

6. Zion’s Christian Soldiers? The Bible, Israel and the Church (Stephen Sizer)

7. Jesus and the Land: The New Testament Challenge to ‘Holy Land’ Theology (Gary M. Burge)

8. Kairos Palestine Document: Documento assinado por líderes cristãos


Fontes judaicas:

1. Desconstruction of Zionism (Jewish Voice for Peace / Voz Judaica pela Paz)

2. Breaking the Silence / Quebrando o silêncio: Testemunhos de soldados israelenses sobre as práticas de violência, abusos e políticas de ocupação na Cisjordânia e Gaza


Fontes Seculares:

1. Limpeza Étnica da Palestina (Ilan Pappé), Editora Sundermann

2. Dez Mitos sobre Israel (Ilan Pappe), Editora Tabla

3. A Maior Prisão da Terra (Ilan Pappé), Editora Elefante

4. Contra o Sionismo: Retrato de uma Doutrina Colonial e Racista (Breno Altman), Editora Alameda

5. Orientalismo: O Oriente como Invenção do Ocidente (Edward Said), Companhia das Letras

6. A Questão da Palestina (Edward Said), Editora Unesp

7. Cultura e Imperialismo (Edward Said), Companhia das Letras


Fortes jornalísticas:

1. Relatório da ONU sobre Apartheid (2017), Richard Falk e Virginia Talley

2. A ocupação por Israel do Território Palestino desde 1967 - Estudos de Virgínia Talley sobre a estrutura de povoamento


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